Já tive diversos bons amigos, que em uma hora ou outra de sufoco, salvaram meu cu. Assim como já tive bons amigos, que em horas inesperadas (pelo menos para mim), quiseram me dar o cu.
A amizade é linda, duradoura, reconfortante e passageira.
Tive muitos melhores amigos. Amigos mesmo. Amigos de ficar saindo junto o tempo todo, de contar as merdas que eu fazia e de ouvir as merdas que eles faziam. Até perdi a conta com quantos melhores amigos troquei diversos conselhos. Amigos diversos, experiências diversas e conselhos cada vez mais furados.
Tive o melhor amigo no início da escola, tive o melhor amigo da rua, na verdade eram duas pessoas, a cada ano que passava eu convivia mais com um ou com outro, tive também o melhor amigo da adolescência, melhor amigo do segundo grau, o do primeiro trabalho, o do bairro e assim por diante.
Alguns... reencontro às vezes, alguns... nunca mais ouvi falar ou soube como estão. Sinto falta de todos eles. Perdi contato com a maioria sem brigas ou sem um motivo controlável. A vida, a situação ou o acaso nos separaram.
A vantagem de trocar de melhor amigo, é que às vezes nos surpreendemos com os conselhos. Se você ouve conselhos da mesma pessoa há anos, você já sabe o que ela vai dizer. Que eu saiba nem um tipo de relação dura na mesmice.
Vejo novos amigos tendo filhos, conheço pessoas em cargos mais elevados, vejo currículos sendo discutidos com méritos a escolher. Vejo que temos boas histórias para contar. Tão boas essas histórias que contamos mais de uma vez aos nossos bons amigos. Penso nesses antigos e bons amigos, nessas versões de um papel único na vida. Como estão? Do que vivem? Vivem? A coisa que mais me faz querer encontrar quem não vejo há muito tempo, é a morte. A morte faz eu querer ver quem eu não vejo há anos. Espero reencontrar essas pessoas longe de seus enterros, ou do meu.

