Ah... aquele belo tempo em que eu acreditava que a parte azul da borracha apagaria tinta de caneta e que sempre encontrava uma bolinha de tatu, ou de chicle, aonde eu ia colocar a minha.
Como vivíamos pouco, mas intensamente nas primeiras series do colégio, e durante todo ele também.
Não sei quantas vezes eu vi uma pessoa se negando andar com a outra porque estava um ano na frente. Nas voltas pelo pátio da escola, em volta do prédio, eram permitidos grupos de pessoas da mesma turma. A mistura máxima permitida era o pessoal da “71” andar com o pessoal da “72”. O que mesmo assim às vezes não acontecia.
Como era legal contar as moedas após a escola para comprar aqueles vinhos de garrafão. Éramos felizes bebendo algo ruim, que mal podíamos pagar com a ajuda dos nossos amigos. Você ainda consegue fazer isso?
As coisas eram muito fortes e tão potentes na época da escola. Eu, por exemplo, descobri na mesma época como era beijar, namorar escondido e ser corno. Tudo num período de cinco meses.
A emoção de decorar o alfabeto grego “novo”, relacionar cada caractere a uma letra do nosso alfabeto e usar isso para colar na maior cara dura, fazendo a professora acreditar que o que tinha desenhado na minha classe era um monte de figurinhas e não as respostas da prova.
Hoje saio para beber com pessoas com 20 anos a mais que eu. Fui corno algumas outras vezes. Tomo vinho algumas vezes no inverno, em garrafas pequenas e não mais com os amigos. O som de violão é algum acústico que toca no DVD e não mais de um velho violão sendo tocado na frente de um portão ou dentro de uma garagem. As letras mudaram, os ritmos mudaram e as pessoas “cresceram”. Talvez isso seja uma grande pena.

